Crash neoliberal argentino abala Bolsonaro e rifa Guedes


Apoio de Bolsonaro a Macri: fiasco total
A goleada peronista de Alberto Fernandez(Frente de Todos) contra Maurício Macri(Juntos por Mudança), na Argentina, de 49,19% x 33,12%, diferença significativa de 16,07%, nas primárias eleitorais obrigatórias e simultâneas, botou o neoliberalismo macrista para correr. Argentinos abominaram o apoio de Bolsonaro ao presidente deles, tentando fortalecer frente neoliberal sul-americana. O peronismo deverá voltar ao poder na eleição presidencial de outubro, salvo se houver tremenda fraude, algo não descartável, no mundo do fake news e da espionagem atual, orientada por Washington.
O desemprego e a instabilidade econômica portenha, com inflação incontrolável, jogando poder de compra da população no chão, são a mesma coisa que está acontecendo no Brasil de Bolsonaro e Guedes.
O congelamento neoliberal de gastos públicos, por 20 anos, imposto pelo golpe de 2016, com o programa “Ponte para o Futuro”, de Temer, e que segue firme no governo do capitão, põe a economia em paralisia há 25 semanas consecutivas.
Recessão em marcha, informa pesquisa Focus, levantada junto a 100 instituições financeiras, nessa semana, sinalizando PIB zero, deixa o guru ultraneoliberal Paulo Guedes dependurado na brocha.
Bolsonaro, indagado, semana passada, sobre as incertezas na economia, não deixou a bola cair: “Isso não é comigo, é com Guedes”.
O Posto Ipiranga está ficando sem combustível, incapaz de colocar o carro da economia para se movimentar.
As atividades produtivas não reagem e as expectativas murcham, mesmo com previsão de redução mais acelerada das taxas de juros.
Afinal, não sendo variável econômica independente, o juro, por si só, não dá conta do recado.
Quem vai tomar dinheiro mais barato na praça, se não há consumidores, massacrados pelo arrocho salarial, decorrente da reforma trabalhista, que acabou com política de valorização do salário mínimo, para sustentar melhor distribuição de renda?
Só para ter dinheiro no bolso?
Enquanto a praça estiver seca de dinheiro, em nome da austeridade fiscal a qualquer custo, o governo, submetido à terapia fiscal e de emagrecimento, via privatização selvagem das principais estatais em andamento – Petrobrás e Eletrobrás – não consegue ter receita tributária satisfatória.
Não se realizam, por isso, os investimentos, hoje, na casa de 15,5% do PIB, no primeiro semestre de 2019, percentual mais baixo nos últimos 50 anos, incapaz de garantir desenvolvimento sustentável.

Fracasso das reformas
As reformas ultraneoliberais, trabalhista e da Previdência, como a realidade vai demonstrando, não têm o condão de insuflar energia e entusiasmo ao setor produtivo, como foi vendido, inicialmente, pela pregação pauloguedeseana, amplamente, apoiada pela grande mídia.
Os resultados, dizem os ultraneoliberais, já tirando o corpo fora, só virão no longo prazo, quando, como diria, ironicamente, Keynes, todos estaremos mortos.
Na prática, as contrarreformas, que estão sendo aprovadas, no Congresso, com maioria ultraneoliberal, destroem poder de compra dos salários e rendimentos dos trabalhadores, sinalizando continuidade de quedas do consumo.
Pioram, consequentemente, as expectativas, como a Focus está, sobejamente, demonstrando.
As pesquisas de popularidade já demonstram estar em queda o prestígio do presidente, limitando sua influência numa faixa de 25% a 30% do eleitorado, o que mostra necessidade de mudar de rumo, se quiser sonhar com segundo mandato.
No Nordeste, a derrota é certa: mais de 50% consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo.
Assim, não é de se admirar, como já se murmura nos corredores do poder, que Paulo Guedes está com data vencida, vai apenas concluir a reforma da Previdência e dar no pé.
Cumprirá o que prometeu à banca, da qual faz parte, ou seja, destruir o maior programa de distribuição de renda do Brasil, o sistema de seguridade social, abrindo espaço para a previdência privada e vendas em massa, já, de planos de saúde e previdência privados.
O Globo informa que o mercado cogita de vender 4 milhões de novos planos de aposentadoria, em três, quatro anos.

Terceirização do INSS
Ao mesmo tempo, especula-se, também, que o INSS será terceirizado.
As empresas poderão depositar em fundos de investimentos seguradores a aposentadoria dos trabalhadores em geral, em vez de recolher ao tesouro nacional, via bancos oficiais.
Portanto, em matéria de aposentadoria, os trabalhadores estarão completamente desamparados, por parte do Estado.
Seu dinheiro vai para fundo privado com o qual se especula no mercado financeiro em meia a uma economia recessiva, fragilizada pela insuficiência crônica de consumo, gerada no capitalismo financeiro especulativo.
O fato é que 36 milhões de aposentados pelo INSS, cujos rendimentos oscilam entre 1 e 2 salários mínimos, como informa a CUT, passam a viver na corda banda, enquanto 4 milhões migrariam para aposentadoria capitalizada, também, submetida às aplicações especulativas, sem garantia de sustentabilidade em meios aos riscos crescentes.
Nesse ambiente, no qual as incertezas são a regra, crescem as cobranças sobre o presidente Bolsonaro, que joga a culpa em Paulo Guedes.
O ultraneoliberalismo de Guedes vai, portanto, deixando de ser segurança para a governabilidade.
Ao contrário, sinaliza instabilidade e derrota eleitoral, como acaba de ocorrer na Argentina.

FONTE:

http://independenciasulamericana.com.br/2019/08/crash-neoliberal-na-argentina-abala-bolsonaro-e-guedes/

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